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67.
segunda-feira, março 23, 2009

Havia uma estrela com meu nome. Uma praia bonita de uma cidade feia. O homem ao meu lado fumava. Minhas mãos mexiam com a areia. Eu precisava saber se ele me acompanharia a todo lugar que eu desejasse ir.

Levantamos, sem muita vontade, e fomos em direção a tal festa. Uma dessas festas nostálgicas que reúnem pessoas que muitos se frequentaram durante anos, mas agora não se viam mais, e nem sei ao certo porque se reuniam. Nos separamos, ele foi em direção a uns amigos mais dele do que meus, eu colocava o papo em dia com duas amigas que me haviam recebido na porta. Bebida, havia muita e de todos os tipos. Afinal eu começava a mudar minha ideia sobre aquela reunião. Depois de duas doses de vodka, até que a festa estava muito boazinha. Percebi que muita gente continuava tão infeliz quanto antes. Outros tinham crescido profissionalmente, e as pessoas os achavam felizes. Fui até a janela fumar um hilton longo e devanear sobre o que realmente era felicidade para essa gente. “Você é a minha mais perfeita definição de felicidade” – ele dissera uma vez em uma dedicatória de livro. Olhei em volta, ele fumava com seus trejeitos femininos ao lado de uma moça loira e decotada que invariavelmente era fã incondicional de seu interlocutor. Bebi mais uma dose da vodka com refrigerante. Pelo menos era Smirnoff.

A festa continuou sem sobressaltos e acabou invariavelmente com músicas “povão” e que aqueles intelectuais todos odiariam se não fosse o alto teor de álcool que já dominara o ambiente. É cult ser povão. Meu homem retornou ao meu lado, sorriu torto, como sorria sempre para mim, pediu um cigarro, caía bem o cigarro longo entre seus dedos. O meu cigarro na mão do meu homem.

Começou a chover lá fora, saí do meu posto de refúgio da janela. Fui observar as falsas loiras, ruivas ou morenas – porque ninguém tem mais a cor que tinha há sete anos atrás. Eu gosto de observar mulheres. E mais ainda mulheres que se libertam de seus pudores e valores depois de ter bebido algumas doses. Na verdade, gosto de observar gente em geral, sou curiosa de carteirinha. Acho que por isso geralmente chamam a minha atenção em festas: você está calada, está triste? Não, nada disso, só acho um ambiente ótimo para observar pessoas, pensar sobre a vida, registrar momentos. Gosto de fotografar também. Deve haver alguma relação aqui: observar e registrar.

Ok, preciso ser mais social. Vou começar indo em direção à radiola de ficha e mudando essa música terrível.


66.
sábado, março 14, 2009

Eu olhei o céu, mas não vi sol. Fazia o caminho de todos os dias como se estivesse perdida. O olhar vazio, sentia-me sem vida: Precisava de todo o chão possível. E, para mim, não existia chão sem céu.

Rascunhava sem sentindo em meu trabalho indeciso, indecoroso e quase cômico. Não era engraçado. Era um tédio, um cansaço quase exaustão, uma sequência ininterrupta de não-férias.

Ontem não houve sono. Fugi para imagens fáceis, que sempre terminavam trazendo ele. Suada, buscava e ansiava, mas nada adiantou: o dia chegou e eu estava em piloto automático.

Eu sei o que acontece com desejos obscenos não realizados: bolhas de calor passeiam pelo seu corpo, te deixam insone, depois criam crostas gélidas. Então o desejo ainda está lá, mas agora inacessível sobre as crostas geladas. E eu toda então me tornava fria.

Eu fria, o mundo sem sol, os caminhos perdidos, as não-férias ininterruptas: mais um dia descartado do baralho.



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